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DIA DA MULHER

Mulheres buscam capacitação para competir no mercado de trabalho

Por Redação - Agência PA (SECOM)
08/03/2015 15h16

No conjunto residencial Maguari, em Belém, uma costureira realizou o sonho de ter o próprio ateliê. Ela desenha e costura vestidos que vêm conquistando, cada vez mais, o gosto das clientes, e já foram destaque em desfiles de moda no Estado. No distrito de Murinim, município de Benevides, na Região Metropolitana de Belém, um grupo de 20 mulheres contribui com a geração de emprego e renda a partir de um empreendimento de quase quatro décadas: uma plantação de flores. Nos dois exemplos destacam-se histórias de mulheres que perseguiram seus sonhos, e hoje, com os empreendimentos consolidados, investem em capacitação para se manterem ativas e em constante evolução.

As mulheres paraenses estão empreendendo e ocupando mais vagas em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. O dado consta de um relatório divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA), feito em parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), sobre o Balanço do Emprego Feminino no Pará. O documento mostra que as mulheres vêm ampliando sua participação no mercado de trabalho. Só em 2014, foram mais de 100 mil novas vagas ocupadas por mulheres.

Entre as áreas que apresentaram maior crescimento da participação feminina estão comércio, serviços e construção civil. De acordo com a Seaster, um dos principais motivos que justificam esse aumento é a melhoria da qualificação profissional. “Quando olhamos especificamente para o segmento feminino no mercado paraense percebemos que, nos últimos cinco anos, ele foi o que apresentou a maior evolução. Neste período, a participação da mulher no mercado dobrou, e hoje elas representam 40% da mão de obra do Estado. Apesar de parecer pouco, mostra que o crescimento vem acontecendo de forma gradativa. Hoje não temos um setor em que a mulher não entre, e isso acontece porque elas começaram a investir muito mais na sua qualificação e educação. Elas estão mais empreendedoras, engajadas e buscando a melhoria da renda”, explica o secretário adjunto da Seaster, Everson Costa.

No Pará, diversos órgãos do governo acompanham a demanda do mercado e dos trabalhadores que desejam se qualificar, seja como empreendedor ou integrante de alguma empresa. A Sedeme (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico Mineração e Energia) há dois anos faz a intermediação com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para ajudar a promover cursos de capacitação na Região Metropolitana de Belém e no interior do Estado.

Profissionalização - Um destes exemplos é o da costureira Márcia Cristina de Matos Almeida, 42 anos, que há cinco anos começou a investir na profissionalização. Em meio a tecidos, manequins e maquinário, a empreendedora conta que começou a costurar em escala industrial e as dificuldades para se tornar uma microempresária.

“Eu era funcionário pública e me afastei, pois queria ter o meu trabalho próprio. Eu já tinha algumas máquinas e me veio a ideia de costurar. Chamei outra moça para trabalhar comigo, e estamos há sete anos neste trabalho. Foi aí que comecei a fazer os cursos do Sebrae, e hoje estou fazendo um curso no Senac. Todo este processo foi despertando o que faltava, pois foram nos ensinando e capacitando. No primeiro momento, quando não tínhamos experiência, e cada vez que a gente fazia algo maior, sem planejamento, era um trabalho imenso”, diz a costureira, que agora é dona do ateliê.

“Antes dos cursos, eu tinha o sonho de fazer minha empresa, mas não tinha uma visão de como seria. Hoje, já consigo ver. Eu pretendo fazer a minha casa ao lado do ateliê e tornar este espaço de trabalho a minha indústria de confecção, além das lojas lá fora”, acrescenta.

Flores - Há cerca de 40 quilômetros do Conjunto Maguari, outro exemplo da determinação feminina cresce cuidadosamente no quintal da casa de Doraci Borralho, 71 anos, em Benevides. Ela e mais 20 mulheres do Distrito de Murinim são responsáveis pela Afloraben (Associação de Flores de Benevides). A entidade funciona como uma cooperativa de mulheres dedicadas à floricultura.

“A gente faz esse trabalho desde 1961. Eu comecei tudo, mas era na área de hortaliça. Fui descobrindo o plantio das flores. A gente se organiza, se ajuda e vai trabalhando para manter o negócio. Já somos 20 mulheres trabalhando, e o que a gente ganha já ajuda em casa. Fizemos vários cursos e participamos de várias exposições com as nossas flores e arranjos”, conta Doraci.

O trabalho das produtoras de flores é acompanhado pela Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará), que há mais de 10 anos promove a capacitação das integrantes da Associação. “A Emater foi implantada no município de Benevides em 2006, e desde essa época nós fazemos um acompanhamento específico em relação à floricultura. Antes disso já havia o acompanhamento do nosso escritório de Ananindeua. Desde 2011 estamos fazendo também um trabalho mais direcionado para a organização produtiva e a comercialização da produção da floricultura no município”, informa Soraya Araújo, engenheira agrônoma da Emater.

Leide Iracema Oliveira, 69 anos, há cinco anos trocou a aposentadoria pela paixão que sempre dedicou aos seus jardins. “Eu sempre gostei de planta, mas plantava só para mim. Depois que conheci o trabalho da Associação e a Doraci fui me interessando. Eu queria ficar só no meu plantio, mas aí a cabeça mudou e eu passei a gostar destas plantas que não conhecia. Hoje, é uma satisfação enorme trabalhar aqui. Eu amo o que faço, e ainda tenho a companhia das minhas amigas. É um trabalho de muita dedicação e amor”, afirma Leide, que já conseguiu construir a própria estufa com a renda obtida na venda dos arranjos.

“A Associação já é autossuficiente na produção de flores tropicas e plantas envasadas. Mas no meio rural tudo é dinâmico. Dentro da área ‘floricultura’ você precisa estar sempre inovando com capacitações, treinamentos etc., para que elas possam buscar novas espécies de plantas, aprender nova técnicas e diversificar a produção, pois é isso que fortalece este ramo”, ressalta Soraya Araújo.

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