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Seminário discute ações integradas para o controle da doença de Chagas

Por Redação - Agência PA (SECOM)
14/04/2015 17h11

No dia mundial de combate à doença de Chagas, lembrado nesta terça-feira, 14, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) reuniu especialistas, técnicos em saúde e estudantes universitários no auditório Silveira Neto, em Belém, para traçar um panorama da doença no Pará, por meio de um seminário apresentado em parceria com a Coordenação Estadual do Programa de Controle da Doença de Chagas, Universidade Federal do Pará (UFPA) e Hospital Universitário João de Barros Barreto.

O objetivo foi mostrar o que vários segmentos do poder público estão fazendo para diminuir ainda mais a incidência do agravo, cuja transmissão oral ainda é predominante em 75% das ocorrências, na maioria associadas ao consumo do açaí contaminado pelas fezes do barbeiro, inseto vetor da doença. Só este ano, 21 casos já foram registrados no Pará, sete deles só em Ananindeua. No ano passado, 140 pessoas foram diagnosticas com a doença de Chagas em 21 municípios. Nos dois anos anteriores, o cenário atingia 36 cidades paraenses: em 2012 surgiram 156 novos pacientes com a doença e, ao final de 2013, mais 133.

Segundo o coordenador estadual de Controle da Doença de Chagas, Luiz Carlos Soares, a Sespa e seus 13 Centros Regionais de Saúde (CRS) têm mantido o compromisso de apoiar, auxiliar e monitorar as atividades em todos os municípios, principalmente nos 45 prioritários para o Programa de Controle de Chagas durante os primeiros seis meses de cada ano, período de baixa ocorrência de casos, coincidindo com a entressafra da colheita de açaí. “São estratégias que visam a sensibilidade de profissionais, como agentes de endemias, agentes comunitários de saúde e outros profissionais da Atenção Básica, incluindo os médicos cubanos, para que estejam em alerta para relatos de febre com mais de sete dias”, explica.

No sentido de manter o cerco ao agravamento de casos já instalados, em 2012 uma portaria da Sespa definiu o fluxo de assistência para pacientes com doença de Chagas no Estado do Pará em cumprimento ao protocolo instituído pelo Ministério da Saúde. Hoje, a referência estadual é o Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), onde funciona o Programa Multidisciplinar em Doença de Chagas, também atrelado ao Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. Além de atender aos pacientes, o serviço do HUJBB é campo de pesquisa e fonte de informações científicas sobre doença de Chagas para os profissionais médicos e residentes do Estado.

Os sintomas mais característicos da doença de Chagas são febre prolongada por mais de sete dias; dor de cabeça e dor nos ossos; dor nas articulações; inchaço no rosto e nas pernas; e manchas vermelhas no corpo, o que faz com que, muitas vezes, seja confundida com a malária, toxoplasmose ou dengue. “Na fase mais aguda, ela acomete o coração, causando cansaço, taquicardia e o derrame do pericárdio, que pode até matar”, explica a médica Dilma Souza, uma das autoras – junto com a médica Rita Monteiro - do “Manual de recomendações para diagnóstico, tratamento e seguimento ambulatorial de portadores de doença de Chagas”.

A publicação orienta, de forma prática, sobre os cuidados com a doença, desde o diagnóstico, passando pelo tratamento até o seguimento ambulatorial. O documento está disponível na internet, no seguinte endereço: http://www.ufpa.br/ics/arquivos/Manual_Chagas_2013.pdf.

Chagas e o açaí

Desde que o governo estadual criou o Programa Estadual de Qualidade do Açaí, em 2006, houve um aprimoramento da cadeia produtiva do fruto por meio da colheita, transporte e processamento, reforçando as ações já realizadas pela Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e de Saúde (Sespa) e apoiadores envolvidos, para o melhor fornecimento do suco de açaí, seja para a população e para a merenda escolar das escolas públicas, associando procedimentos higiênico-sanitários, fiscalização, inspeção, monitoramento e educação continuada, sobretudo junto os profissionais de saúde e batedores de açaí.

Os esforços também contemplam maior acesso à informação sobre as linhas de financiamento disponíveis em três bancos públicos para que batedores regulares possam comprar equipamentos de branqueamento.

Durante todo esse período, mais de 2,5 mil batedores de açaí concluíram os cursos de capacitação em Boas Práticas de Manipulação e Processamento do Açaí, ministrados em parceria pela Sedap e Sespa, que tem destinado técnicos da Divisão de Alimentos do Departamento de Vigilância Sanitária do Estado para orientações ao correto processamento de branqueamento do açaí com ofertas de kits contendo camisas, aventais, bonés, toucas, termômetro e cronômetro digital, filtro para água, copo dosador e peneira em alumínio, com tela plástica.

Segundo o médico Helio Franco, que na ocasião representou a titular da Sespa, Heloisa Guimarães, a técnica do branqueamento do açaí é uma dos procedimentos mais simples que existem, pois não desbota a cor do açaí ou compromete o sabor da fruta. Trata-se de um processo de conservação de alimentos, que consiste em mergulhar os frutos durante pouco tempo em água fervente e, em seguida, em água fria, podendo ser feito em equipamentos de aço inoxidável, tanto na forma artesanal, como vem sendo incentivado no interior do Estado, ou com o tanque usado em Belém nos treinamentos da Sedap.

Serviço: Contatos com o Programa Interdisciplinar de Doença de Chagas (PIDC) podem ser feitos pelos telefones (91) 3201-6651, 3201-6652 e 4005-2569. O número da Coordenação Estadual do Programa de Controle da Doença de Chagas é (91) 4006-4268.

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