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JANEIRO BRANCO

Ação no HOL orienta sobre cuidados com a saúde mental de pacientes com câncer

Usuários e acompanhantes participaram de atividades que mostraram como cuidar da saúde mental dentro e fora do ambiente hospitalar

Por Ellyson Ramos (HOL)
26/01/2024 18h45

Com o objetivo de sensibilizar e conscientizar pacientes e acompanhantes sobre a importância de atentar para os cuidados com a saúde mental e emocional, o Hospital Ophir Loyola (HOL) promoveu uma ação alusiva ao "Janeiro Branco". A programação contou com palestras e ações de autocuidado e foi realizada no setor de quimioterapia da instituição.

De acordo com o coordenador da Divisão de Quimioterapia, Armando Souza, a ação, realizada em pleno mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e emocional, ressaltou a importância do cuidado para todos. "Oferecemos mais esse suporte aos pacientes e acompanhantes. Psicólogos, terapeutas e enfermeiros orientaram o público sobre a relevância de nos cuidarmos. Trouxemos, com todo amor e carinho, técnicas complementares, arte com flores, massagens terapêuticas e maquiagem. Em uma sessão de autocuidados para melhorar a autoimagem e levantar a autoestima, reafirmamos que eles não estão sozinhos e que podem contar conosco nesse processo (tratamento), que é longo, por vezes doloroso, mas necessário na luta contra o câncer", afirmou Armando.

A aposentada Dalva Brito, de 69 anos, aprovou a iniciativa. Diagnosticada com uma neoplasia maligna e, após a realização de alguns exames, foi conferir a programação. "Gosto de vir aqui no Espaço Acolher. Já participei de uma ação de embelezamento, fiz a minha sobrancelha, cortei o cabelo e minha filha amou quando viu o resultado. Isso faz muito bem para a gente", afirmou Dalva.

Humanização - A coordenadora do setor de Humanização do HOL, a psicóloga Rayssa Imbiriba, explica que as articulações junto aos setores para a realização de programações como a do Janeiro Branco beneficia pacientes, acompanhantes e também servidores. "A Humanização atua pensando na coletividade. Por isso, trabalhamos juntamente com a psicologia na orientação junto aos pacientes, mas também temos a missão de atuar junto ao serviço de atenção ao servidor, orientando sobre como buscar auxílio psicológico, caso precise", ressaltou.

A psicóloga defende ainda que o equilíbrio necessário para manter a saúde mental em dia está na observação e gerenciamento de um conjunto de fatores. “O físico e o emocional caminham juntos. Logo, no momento em que o contexto físico é fragilizado, devemos, por exemplo, realizar uma atividade física, dentro das possibilidades. É importante que a pessoa faça algo que a leve ter prazer, seja leitura, passeio ou estar com a família. Por isso, sempre recomendamos que consultem o médico sobre o que pode ser feito dentro das limitações existentes”, disse a especialista em saúde pública.

Palestras - Ministrado pelo enfermeiro Rafael Torres, a palestra “a importância da saúde mental no cotidiano do paciente oncológico” abordou relatos comuns nos discursos de pessoas que enfrentam o câncer.

"Fui residente no hospital e a volta para realizar essa palestra me resgatou muitas memórias. Ouvi relatos de pacientes e isso é extremamente necessário neste momento enriquecedor voltado à saúde mental. Desde o diagnóstico, o paciente tem de lidar com uma ruptura na própria vida, com mudanças na rotina e a adoção de um tratamento que o desgasta física e emocionalmente. Mas é sempre importante lembrá-los de que não estão sozinhos nessa caminhada", disse Torres.

Em 2022, o brevense Everson Santana, 26 anos, foi diagnosticado com Linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que se origina no sistema linfático. Ele conta que, desde a descoberta da doença, a prática de atividades físicas tornou-se uma grande aliada à saúde mental.

"Quando recebi o diagnóstico, eu fiquei em choque e acabei focando muito na atividade física para extravasar. Eu pratiquei yoga há muitos anos, então decidi voltar quando soube que teria de interromper a musculação ao iniciar as sessões de quimioterapia. O Linfoma de Hodgkin dá muito cansaço e sinto muitas dores, então, eu optei por fazer uma atividade física de menor impacto. O yoga não tem uma intensidade muito forte e a gente pode fazer em casa mesmo, com alguns alongamentos básicos, aos poucos, quando o corpo permite", recordou Santana.

Outra atividade adotada pelo jovem para lidar com o tratamento oncológico é a psicoterapia. "Tento fazer psicoterapia pelo menos uma vez por mês. Tem muitas coisas que eu não tenho com quem falar, essa é a verdade de quem tem câncer. Às vezes, me sinto saturado de ficar só falando das mesmas coisas, reclamações e dores. Sinto que os amigos não vão entender e a própria família já tem aquele peso de nos ver mais fracos e sem energia devido a luta contra o câncer", afirmou Everson.

A técnica de administração e finanças Valéria Homci também atuou como voluntária na ação. Formada em terapia energética, ela aplica em pacientes, acompanhantes e servidores uma técnica milenar chamada Johrei, comumente utilizada na medicina oriental. Trata-se de uma terapia de prática de imposição de mão que propõe relaxar, aliviar dores e desconfortos e elevar a imunidade.

"Há diversas publicações científicas que apontam que o johrei atua na redução da ansiedade, na melhora significativa do sono e da concentração. Não tocamos o paciente e também não temos um tempo específico para administrar a técnica. Tudo ocorre de acordo com a necessidade de cada um. Abordando aspectos não comportamentais, há exames que apontaram que a pessoa que recebe o Johrei tem a sua imunidade elevada em pelo menos duas vezes. Esses resultados científicos me levaram a desenvolver essa atividade", disse a servidora.

Espaço Acolher - Doutora em saúde e educação, a psicopedagoga Liete Oliveira palestrou e compartilhou experiências vivenciadas no setor onde atua, o Espaço Acolher do HOL. “Mesmo fragilizados com o adoecimento, os pacientes se sentem acolhidos quando ouvidos. O Espaço Acolher proporciona esse e outros cuidados com a mente a partir do desempenho de atividades que respeitam o tempo e os limites de cada um. E a melhor resposta que temos de que o trabalho está funcionando são os sorrisos e as palavras de gratidão que eles (pacientes) proferem quando entram aqui, pois, de fato, se sentem acolhidos”, afirmou.

“A palestra de hoje me abriu novos horizontes sobre o cuidado também com o acompanhante. Fala-se bastante sobre a pessoa que está com câncer e, às vezes, esquecemos que aquela pessoa que está ali, ao nosso lado, também sofre junto. Muitos podem se sentir impotentes por não poder fazer nada contra a doença e isso causa dor pois eles veem a pessoa que eles amam em sofrimento e ainda escutam de outras pessoas que precisam ser fortes”, concluiu Santana.

 

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